A verdade é que tínhamos deixado para uma certa pessoa deste blog, de sexualidade dita homoerotica, escrever algo. Mas, por diversos percursos da vida, não deu. E pra não fazer vergonha diante da nação , lá vamos nós.

Ultimamente, a minha pessoa, um tanto quanto noveleira, estava “aviciado” numa produção chamada “Mulheres Apaixonadas”. Isso mesmo, aquela novela do nosso conhecido Manoel Carlos, autor das novelas do Leblon, e que sempre “enfia” a filha dele (que por sinal deu uma suuuuuuuuper melhorada), em qualquer novela de sua autoria, apesar dela sempre ter aquela cara de abusada.
Pois bem, as novelas do “Maneco” são sempre o mesmo enredo: o Rio de Janeiro, o Leblon, um único bar, uma única padaria, um único prédio onde quase todo mundo da trama mora e, quem não mora, cuida da portaria ou faz faxina no mesmo. As pessoas sempre preocupadas com seus Cursos de Historia da Arte, que elas não sabem se fazem no Rio ou em Bruxelas, ou quem sabe em Londres. Saem para trabalhar, mas não se vê nenhuma cena deles no trabalho, eles sempre estão no cafezinho ou saindo do serviço.
Diante de tanta abundancia no Leblon, cheguei a ver uma cena na qual a criança chega para o pai e diz: “mamãe disse que vamos chegar atrasados ao casamento na fazenda, uma hora dessas o trânsito está uma loucura...” e o pai responde “diga a ela que não tem problema, iremos de helicóptero, para evitar o engarrafamento”. Meu Deus, é “muita pobreza”.
Depois dessa breve introdução sobre a estrutura arquetípica das novelas leblonistas, podemos falar sobre o que sempre se vê nas mesmas: O CHIFRE. E meu povo, eu vou lhes dizer, é muuuuuuuuuito, nunca vi, são muitas pessoas de cabeça armada numa novela só. Essa novela, especificamente, a qual costumo chamar carinhosamente de “Raparigas Enlouquecidas”, afinal de contas, quem teve oportunidade de assistir pode presenciar a roda viva, a “quadrilha de Drummond”. Basta ver também o desespero da personagem da Julia Gam, a “Helokisa”, que esfaqueia o marido com ciúme, esfaqueia a ela mesma, sofre um acidente de carro, quer atropelar a vizinha, só falta espancar o “pobe” do porteiro, e ainda quer pular da janela quando o marido diz q vai embora. Bem equilibrada né, ela?
Se você pegar, por exemplo, o capitulo no qual o Diogo, representando por um rapaz bem “fein” chamado Rodrigo Santoro (aaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiii), dá pra avaliar isso. O mancebo, que está indo embora pros EUA, relaxar um pouco em Nova York (oh povo pobre), está lá no Aeroporto. Ele se despede da atual “peguete” (uma relação que não é namoro, nem noivado, nem casamento, se enquadra mais como um “fica”, uma relação que envolve penetração), ai a ex-mulher, a Paloma Duarte, chega, puxa ele da outra mulher, tassssssscalhe um beijo e diz que vai sentir saudade.
Tudo bem, ta certo que ele é o Rodrigo Santoro e talz, artista internacional, beliiiiiiissimo, mas peraí, o “atual” rolo na despedida ainda vai, mas a ex-mulher? E a doida ainda diz que vai sentir saudade? Eu hein?!?
Como se não bastasse, vem Camila Pitanga, outra “horrorosa”, e grita por ele e atravessa a multidão de pessoas (o núcleo rico inteiro da novela que foi deixar o pobre rapaz que “quase não pega ninguém”) e tascalhe outro beijo. Eles se olham e dizem um pro outro que amor de primo não acaba. Minha gente é muita energia, mas também ter o Rodrigo Santoro e a Camila Pitanga, Meeeeeeeu Deus !!!eu num ia querer mais nada na vida eheheh.
Vale salientar que nesse período, Luciana, a personagem da atriz com sobrenome de fruta, está de caso com um neurocirugião bem sucedido comedor de assistentes, a Besta fera sexual da teledramaturgia brasileira, José Maia. Pois bem, além disso, o nosso Richard Gere brasileiro, antes de tudo, teve, há muito tempo atrás, um caso com Cristiane Torloni, que é madrasta da Pitanga, e deu um pega também na Carolina Kasting, que terminou junto com o Tony Ramos, que é pai da Camila Pitanga e ex-marido da Torloni. Na verdade a seqüência é assim ela namora com o Zé Maia, trai ele com o Tony Ramos,com quem ela se casa, ....e depois d
e muita putaria, casa com o Zé Maia no final da novela, afff que complicação.Sob o risco de ser vaiado e banido da comunidade homossexual cearense – às vezes, tão focada em estabelecer uma imagem política e afetivamente correta –, falarei, dando as costas (uuui!) ao superego, sobre o tema proposto pelo meu querido amigo bi. . Desde já, deixo claro que não falarei em nome dos “gays”, nem pretendo ser porta-voz de minoria alguma. Como diria uma querida amiga, “Ô minoria grande viu, vocês!”. Enfim, falarei de mim mesmo, da minha experiência nesse mundo de relações, acordos e expectativas; detalhes que podem tornar tudo bem mais complicadas do que o previsto.
Eu já traí e fui traído. Alguns deles souberam da minha traição, outros não. Da mesma forma, tenho certeza de que aquelas dores de cabeça misteriosas não foram apenas “coisa da minha cabeça”. Não vou dizer que me orgulho disso, todavia, não acho que isso seja motivo de tanta vergonha. Há quem me chame de “biscate”, é bem verdade...mas acho que é o preço que se paga por ser sincero e honesto com o próprio desejo.
Não estou aqui para fazer apologia ao princípio do prazer, não é uma defesa de um estilo de vida “gozo, logo existo!”. Não acho, de forma alguma, que uma noite de prazer com um desconhecido do banheiro do shopping seja mais interessante do que uma noite com seu “amorzinho” querido, que está em casa esperando cheio de carinho, amor e verdade. O problema é que, como disse a um grande amigo numa dessas noites insones no msn, “acho que meu pau é surdo!”. Cara, sem mais delongas, pulsão é isso mesmo: surdez do pensamento racional e a desconsideração dos bons julgamentos, bons princípios e valores cultivados.
Quem com uma vida sexual um pouco mais longa e ativa (ou passiva, não é mesmo minha gente? Hahaha!) nunca fez sexo sem camisinha, morreu de se arrepender no outro dia e foi correndo doar sangue no HEMOCE pra conseguir um exame grátis e de quebra uma imagem de altruísta? Quem nunca acordou ao lado de um quase-estranho e ficou decepcionado consigo mesmo por ter transado com alguém que não tinha o menor significado? Quem nunca perdeu o senso e transou num local proibido, se expondo a um processo por atentado ao pudor ou uma situação vergonhosa e desnecessária? Quando o assunto “tesão” está na pauta, tem sempre um “muito” de burrice ou pelo menos uma dose maior do que o usual.
E que bom, não? Quem disse que a gente tem que sempre tomar as decisões mais acertadas? Quando foi que estabeleceram que a razão da cabeça “de cima” vale mais do que a da cabeça “de baixo”? Sou super contra essa ditadura da lógica racional, da coerência e da ordem. Inclusive, acho que sofremos mais do que devemos por não nos permitir um espaço para o irracional, pro non-sense, pro tolo e o excessivo. Acho que a busca neurótica pelas virtudes comedidas e seguras através de uma conduta ascética e regrada na temperança e no bom-senso acaba por nos tornar seres, extremamente, desinteressantes e, pra falar a verdade, assustadores também. Pra mim, o “homem de bem” faz parte do mesmo lendário e assustador grupinho do velho do saco, babau, bicho-papão e loira do banheiro.Enfim, gosto de pensar que nosso corpo, nossas pulsões e todas aquelas coisas que não fazem lá muito sentido, carregam, sim, alguma lógica ou, no mínimo, têm alguma função. Não sou um perverso desvairado e sem ética que não respeita nada, nem ninguém, além de seu próprio prazer. Não é isso de forma alguma! Apenas tento me permitir sentir o que sinto sem mais sentir tanta vergonha. Em via de regra, advogar em favor da poligamia, ainda parece soar como libertinagem, safadeza ou coisa de pessoas sem vergonha na cara. Eu discordo e discordo MESMO!
Não é que eu seja contra a monogamia. A questão é que eu sou a favor tanto da monogamia, quanto da poligamia. Eu sou a favor das possibilidades de ser-no-mundo, da mudança de escolhas e até da contradição de nós mesmos. Adorei uma frase de msn de uma amiga que acho que vem bem a calhar: “Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido”. Há uma infinidade de cores, nuances e contornos possíveis para o que chamamos de “amor”. Não sei se por ser homossexual e ter vivenciado inúmeras situações onde definiram minha forma de amar como “patológica”, “desvirtuada”, “pecaminosa” - dentre outros adjetivos “formidáveis” -, eu, simplesmente, não consigo julgar a legitimidade das várias formas de relacionamentos.
Ah, convém falar que sou monogâmico...ou ao menos tenho me considerado até então. Apesar de simpatizar com algumas idéias do chamado “amor livre”, ainda não tive a oportunidade de vivenciar uma relação onde os acordos fossem um pouco menos ortodoxos. Acho que, na verdade, nunca senti a necessidade de trazer essa questão pra dentro de um relacionamento. Até o exato momento, um só foi mais do que o suficiente. Bastante amor e carinho, muita energia despendida...e também desentendimento e dor de cabeça além do esperado. É, talvez a monogamia seja mesmo uma boa idéia. Porventura, quem sabe, algo evolutivo? Ou não.PS: Porque, no dia seguinte, eu fiquei com a sensação de que, depois desse post, nunca mais vou arranjar um namorado? .__.~~



